sexta-feira, 9 de novembro de 2007

I

A fumaça no sertão

Fala como morte nos rios

sertanejos

Fala como os rios de um dia

reinos do amarelo

O sol em Pernambuco urbanizado

Murilo Mendes segue os rios

Ouvindo em disco Mariane Moore

A falar sério com as coisas

II

Museu de tudo

Esse habitar no tempo

Rios sem discurso, ele diria

O museu de Pernambuco na baixa Andaluzia

No bar sem um meio de transporte

Resolve então jantar com os desembargadores

O Sol no Senegal lembra as águas do Recife

E mesmo sem a luz isso não se explicaria

III

Doença do mundo físico

Número quatro da escola de Ulm

Pergunte a Joaquim Cardozo

Sobre a fábula de Alberti

Sobre romances de barbante

Sobre o níquel, o alumínio e o estanho

Diante da folha branca

Debruçado sobre os cadernos

Leio o ultimo poema de Elizabeth Bishop


6 comentários:

Luiz Coelho disse...

Identifiquei alguns títulos do João Cabral. É este o poema que vc disse que iria escrever?

De qualquer forma, o número I é ótimo, autosuficiente!"A falar sério com as coisas".

Anônimo disse...

é aquele

misturei os títulos e aguns versos dos poemas respectivos

ia postar só o um mesmo

mas resolvi jogar a imperfeição dos quatro

Demian Jacob disse...

Fala fita ta sumido do asfalto...
Ta bom o blog, quando vai sair o volume 1??? botei um link na minha pag.
Braç

- Marechal Carleto - disse...

valeu feroce


é nóss


vamu armar nesse verão aí


Bração!!!

Petru disse...

demais o tempero deste banquete imaginario das letras celestiais !!

Luiz Coelho disse...

Soprava sobre a planura da seca
pesado e grosso bafo de amargura.
A cantoria imprimia lerdeza
aos passos do cortejo de ranhura.

De cacto em cacto as vozes tropicantes
marejavam de tristeza até o talo
o gargalo e o olhar tornando o ser
tão um mar de lamento e lama: vale

lacrimoso navegado com mastro
duro erguido do lombo do jegue
(asno magro de penúria do pasto).

As inselências percorriam léguas
medidas no trajeto do cansaço
dor de pedra furando sem dar trégua.

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841