segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Fragmentos Carletistas IV


...

i

O combate já durava dias e Pinheiro se recusava a recuar de suas posições na margem norte do Rio Pardo.

Suas baixas já antigiam milhares e os reforços de Porquinho tardavam em chegar; Carleto jazia com febre nas ruínas de um hotel em Prado e a nova infantaria do Coronel Franklin avançava com seus carros de combate indiferentes ao fogo dos morteiros e canhões Carletistas.

Pinheiro resolveu recuar quando a névoa prevaleceu na escuridão do inverno baiano; com o auxílio do Coronel Campos Bastos, levou seus homens em balsas improvisadas até a margem oposta.

O contingente, no entanto, estava muito enfraquecido para deter o avanço de Franklin. Haviam poucos soldados sobreviventes da 5ª Infantaria Carletista; da 4ª Divisão Blindada de Belmonte e da 9ª Artilharia de Porto Seguro...


ii

Os campos Bastos eram charcos ao sul de Canavieiras

Chovia muito aquela madrugada e mesmo assim Pinheiro ordenou que seus homens avançassem através das planícies que cercavam a margem do rio. Sob uma chuva de balas e artefatos eles atravessaram o longo espaço que os separavam das últimas fortificações carletistas e ao anoitecer já se encontravam protegidos.

Carleto Gaspar alcançara seus homens em recuo pela manhã, e, enfurecido com a retirada, decidira lançar um contra-ataque imediato para reconquistar Canavieiras

Obedecendo as indicações de Carleto, a infantaria avançou até uma pequena depressão que margeava os charcos e do horizonte mudo surgiu o grito absurdo que antecede o fragor das batalhas.

Amanhecia e um sussurro surdo ecoava do lado de fora dos muros. Os soldados que permaneciam deitados no hospital da campanha, impossibilitados pelos ferimentos de levantar-se, acompanhavam com tremor os estouros e estalos e quebrantos que escutavam a distância.

“Chove fogo, gritos e sangue” gritou um deles com o evangelho nas mãos "Nínive sucumbirá sob seus próprios males" repetiu profético o aleijado. No campo, sob os olhos fatigados de um comandante desacreditado, o exército desmantelado penava uma fuga incerta; às pressas, tudo quebrado, os oficiais corriam e fugiam rio acima com botes já preparados e no meio da carnificina os homens pensavam que aquilo tudo era pior do que quando era normal a vida.

Quando a derrota já se mostrava definitiva, Carleto recuou em segurança sob a guarda de Pinheiro e por uma trilha discreta atingiu seu quartel-general em Belmonte logo ao entardecer. A noite, mesmo cansado, não conseguiu dormir, contava de um a cem e dobrava o dedo mindinho; contava de cem a duzentos e dobrava o seu vizinho; assim por diante, até completar mil e ter as duas mãos fechadas. Lá de cima escutava os tiros distantes e as descargas de artilharia e então começava a contar novamente...


6 comentários:

Anônimo disse...

Desde Alexandre Dumas não se vê tanta destreza no manejo da pena. Avante Carleto!

Anônimo disse...

na terra de patativa do assaré prosa é quase que um canto de passarinho

bela cantoria carleto !

Fulano Di Tal disse...

O desespero de um General a tentar conquistar simplescidade,entender sua posição,saber por que nutri a terra com o sangue de seus homens,sem fazer ideia da vontade do deus que tanto teme nos momentos de desabafo da alma,cada nome esquecido no front é um rosto a passar nas lembranças dos que encurtam o descansar da noite,a linha tenue entre a firmeza de suas convicções e simples rigidez de cisma mesquinha enrola em seu próprio pescoço como uma jibóia loucura a brincar com sua presa,um vislumbre nos direto nos olhos de seu braço direito o acalenta com o calor da confiança lhe devolvendo miseros 10 segundos de razão para um suspiro e decisão de seguir adiante,sem planos metodicos,mas com oque move os homens de volta aos charcos,a vitória filha da prostituta vontade....

Fulano di Tal disse...

O desespero de um General a tentar conquistar simplescidades,entender sua posição,saber por que nutri a terra com o sangue de seus homens,sem fazer ideia da vontade do deus que tanto teme nos momentos de desabafo da alma,cada nome esquecido no front é um rosto a passar nas lembranças dos sonhos que encurtam o descansar da noite,a linha tenue entre a firmeza de suas convicções e simples rigidez de cisma mesquinha enrola em seu próprio pescoço como uma jibóia chamda loucura a brincar com sua presa...um vislumbre nos direto nos olhos de seu braço direito o acalenta com o calor da confiança lhe devolvendo miseros 10 segundos de razão para um suspiro e decisão de seguir adiante,sem planos metodicos,mas com o que move os homens de volta aos charcos,a vitória filha da prostituta vontade....

Anônimo disse...

apaga o primeiro losk pra num ficar 2 iguais

- Marechal Carleto - disse...

nada... vou deixar pra fazer número

;)

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841