segunda-feira, 16 de abril de 2007

- A foto perdida do Marechal -

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Em outubro de 1826 as Forças Patrióticas de Carleto firmaram o acordo de paz que definia os limites definitivos da República Carletiana. Ao norte a fronteira se estendia ao longo da margem sul do Paraguaçu, a oeste ultrapassava as serras e planaltos até oSão Francisco e ao sul seguia o curso sinuoso do Rio Doce.

- O historiador pernambucano José Inácio de Abreu e Lima no capítulo XII de seu livro, Sinopse ou dedução cronológica dos fatos mais notáveis da história do Brasil de 1844, aponta o ataque a salvador como o estopim da crise no Exército Patriótico; tivesse respeitado o acordo e permanecido na defensiva por mais tempo, Marechal Carleto poderia ter, definitivamente, expulsado os portugueses do Brasil .


- A ruptura do acordo de paz fez com que os franceses retirassem seu apoio aos Patriotas e fortaleceu a aliança entre lusos e ingleses.


- Segundo Abreu e Lima, nas vésperas do natal de 1826 o Grande Exército Imperial Português, comandando por um obscuro Coronel Franklin e auxiliado por artilheiros ingleses, irrompeu nas margens do Paraguaçu.

O corpo principal das forças de Carleto se encontrava envolvido no ataque a Salvador e as tropas do Tenente Campos Bastos falharam em impedir a travessia inimiga sobre o rio.

O Marechal, em franca desvantagem, apressou-se em recuar tropas de Salvador e Itaparica até a cidade de Valença, já atacada na noite de reveillon pelos canhões e morteiros do exército Imperial. Diante da precariedade de suas posições, os Patrióticos demoliram todas as pontes da cidade e recuaram para a inacessível Ilha de Boipeba.

Abandonados pelas tropas, os habitantes de Valença foram trucidados pelas forças portuguesas: mulheres foram estupradas até a exaustão, crianças foram surradas e executadas, e os edifícios foram todos arruinados, ficaram de pé apenas a velha igreja amarelada de Nossa Senhora do Amparo, o cruzeiro na praça maior, as balsas de canoa, o reboco atravessado e os enxames.


- Carletistas ainda sustentaram a luta através de emboscadas e escaramuças nos mangues quw cercavam a ilha, mas no começo de abril os portugueses dominaram o canal de Tinharé e o todo o complexo labiríntico de rios e meandros que protegiam as Forças Patrióticas.

A ilha foi cercada, as tropas desertaram em massa e não restou alternativa ao Marechal: na manhã do domingo de páscoa, Carleto se entregava com seus oficiais às forças portuguesas e foi enviado num veleiro militar inglês para o forte do Morro de São Paulo e posteriormente para o Rio de Janeiro.


- Nas celas úmidas e escuras em que foi encarcerado, teve tempo suficiente para pensar e repensar toda sua vida centenas de vezes e após doze anos no cárcere passou a ditar suas memórias para mim que me encontrava preso por deserção na marinha.

Foram quatro anos em clausura vivendo sob o mesmo teto mofado.

Quando fui organizar suas memórias, já estava há alguns anos sem notícias do Marechal e morava novamente em Montpellier.


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O que torna muito complicado esse relato é poder distinguir a verdade histórica dos fatos narrados por Carleto, das lendas que ele próprio criava em torno de sua pessoa, até porque o próprio não aceitava que duvidassem de uma palavra sua.


Tentarei, portanto, escrever da forma mais imparcial que o meu discernimento e pesquisa permitem:


Segue então a história de Carleto Gaspar Simões:




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Um comentário:

J. Lobato disse...

Mas essa parada é verdade mermo????

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841