terça-feira, 10 de abril de 2007

- Sobre o Carletismo Histórico -

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A saga Carletista tem que ir até o fim; desbravar pântanos e planícies, cercar cidades como um Ciro ou um Bonaparte, reproduzir a voz iluminista que ecoa sobre os hemisférios rubros: uma nação independente do Império do Brasil com uma Constituição própria e uma bandeira. Carleto deve ser a síntese do déspota carismático, o que some e desaparece renasce acende e ressurge e seu vulto é sempre um mistério evidente Bárbaro cretino e arrogante que decreta leis a beira de rios remotos renuncia ao comando em poças de lama na selva abandona tudo por uma cortesã do teatro espanhol e desiste do mundo em Ilhéus.


REPÚBLICA CARLETIANA (1823-1835)


As referências históricas ao período Carletista na Bahia são praticamente inexistentes. Quase todas as fontes que mencionavam esses eventos ocorridos na Bahia entre 1823 e 1835 foram sistematicamente destruídas ao longo do período regencial e do Reinado de Dom Pedro II.

Tenho conhecimento de apenas dois autores que citam o nome do General Carleto:


1.

A Conquista de Salvador pelas Forças Patrióticas de Carleto em 1823, a serviço do Imperador Dom Pedro I, é descrita pelo historiador pernambucano José Inácio de Abreu e Lima no capítulo oito de seu livro, Sinopse ou dedução cronológica dos fatos mais notáveis da história do Brasil de 1844:


“... General Carleto Gaspar Simões admitiu que teria de sitiar a cidade de Salvador. Ele reuniu canhões e batelões carregados de morteiros e, por seis semanas, a cidade foi bombardeada. O ataque foi tão intenso que a população fez recolher-se em cavernas sob as igrejas. Cercada e incomunicável, Salvador ficou sem alimentos e munição. Nos primeiros meses de 1823 as doenças matavam cada vez mais pessoas. Diante dessa situação, o Comandante Português permitiu a saída dos moradores e cerca de 10 mil pessoas deixaram a capital da província.

Os defensores imperiais mantiveram seus postos, mas Madeira de Mello via sua provisão de víveres reduzir-se cada vez mais, e seus homens começavam lentamente a esfaimar-se.

Em 3 de julho, sabendo que não tinha esperanças de socorro, o comando português pediu termos de rendição ao General...”


2.

O Folclorista mineiro João da Silva Campos, em sua Coleção de contos populares de 1876, curiosamente menciona uma marcante atuação de Carleto, ainda Tenente, numa refrega perto da cidade de Trancoso, quando protagonizara um curiosa intervenção num assalto aos acampamentos da resistência portuguesa:


"... e o homem sozinho e furioso de nome Carleto Gaspar caiu com estrondo sobre os homens e a soldadesca d'el-rei deu para trás com precipitação, ante os repetidos golpes do estranho soldado que, ao demais, parecia blindado contra as balas (...) Mais tarde explicaram os derrotados a causa de haverem cedido terreno àqueles...”


Sigo na Pesquisa.


A PAX CARLETISTA

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4 comentários:

Fantinato disse...

Longa vida ao General Carleto!

claire disse...

a profecia se comprova! alguma referência ao egito?

omnia in uno disse...

Longa vida!
Canônico seja já sendo e sempre foi antes mesmo de ser!
Ora, sem chapéu para prestar cumprimentos, ofereço fios dourados do couro guardado desde que coberto por outros já idos fios.

omnia in uno disse...

Longa vida!
Canônico seja já sendo e sempre foi antes mesmo de ser!
Ora, sem chapéu para prestar cumprimentos, ofereço fios dourados do couro guardado desde que coberto por outros já idos fios.

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841