segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

II

.

Vai Lobato!

Pra escrever um livro é isso:

Joga no papel enrola e acende,

Depois escuta as vizinhas grisalhas nas janelas da Sabará Antiga

e aprende!


Cada dia é uma Pérsia que eu Conquisto

Mas segunda-feira a noite é imperdível, o Programa da Hebe é insuperável. Papo de correr do trabalho e chegar a tempo do programa:

“Hoje temos Negra Li, Marcelo Serrado, Sabrina Sato, Dinho Ouro Preto, Felipe Massa, Latino e Valéria Valença”.

Sigo a receita do escritor

Com a diferença de que não jogo no papel

Fumo direto no cachimbo

Me vêm assim a Assíria & Charlie Parker

A Guerra Civil em Angola & o Êre no programa do Chacrinha

A bacia hidrográfico do Rio Zambeze & o pescador na música de Caymmi

A sacada dos quartos de hotéis baratos & os jovens na tarde de procissão

A linha Vermelha interditada & as fábricas de sabão


Na Velha Havana...


“Vou dormir Legal!!!”

Mas tomo um café e é como o Renascimento na Itália

Abençoados cofres da família Médici.

Pudera eu ser o Aníbal da Presidente Vargas

Atravessar a grajaú-jacarepaguá como um soldado de Cartago nos alpes italianos

O Alighieri do Rio Cidade-Estado

Escrever em versos a Avenida Brasil e o Saint John Baptist

O Giotto dos muros da Central do Brasil e Leopoldina

Instaurar o classicismo na Francisco Bicalho.

Os trezentos de Esparta do Complexo...


Dia 2 de Feveireiro

No bearboug, no Bronx, no cais

no Chapéu Mangueira, no Leme,

e eu e eu e eu e eu e eu

sem me perguntar


No Leme

Lá por baixo

guiando a embarcação

Atracando em Óstia sem lanternas

Noite triunfal no Fórum de Adriano

A via Cavour parada para os dois navegadores

Da Gávea, Gregos gritam para Troianos:

“Abandonar o navio!”

Afundando a embarcação, me pergunto: Onde por acaso estariam os Cedros centenários da Fenícia??


Escutando Racionais, acordo e vejo o verão chegar

“Spinning, Ginástica Local, Tae BO, Gap, Musculação,

Step, Yôga, Pilates!

E eu querendo:

Lampião, Don Corleone,Pancho Villa e qual é mesmo o nome do Bruce Willys no duro de matar 1???

Ó deuses da Anatólia

“Tragam o colírio para aliviar”

No dia químico do meu hemisfério

Me sonho um James Bond medieval

Servindo Don Lorenzo, o Magnífico

Escutando o Jazz que nessa época era comer cogumelos

Dia 13 de Março em Santo Amaro na Praça do Mercado

Recitando Ovídio poeta latino

“A morte próxima num barco mouro em Cadiz”

O poeta em sua última noite.

As Mulheres escondidas me vêem passar da janela

“ah, que desatino entre os francos e etruscos

Quando passo por entre suas mulheres, que desatino”


Mundo Novo, mais nobre das missões

Caminho como exilado pela Avenida Nossa Senhora de Nazaré o Círio de Belém, até a basílica...

Ergo louvores a santa do Paraíba do Sul e à seus nobres pescadores

Enquanto o mundo acontece estou a vender gravatas no deserto

Descendo a vida toda até os Saltos de Paulo Afonso

Encontrando debaixo do travesseiro, numa pensão vazia,

As escrituras sagradas das sete quedas do Rio Paraná..

Rio Nilo, Noel Rosa da antiguidade

Horda Dourada nas festinhas de formatura

Villas-Boas das boates entupidas

Dom Quixote nas noites de falência

Dom Juan dos sambas e trapaças

Os palcos são anfiteatros e temos que chegar ao Ceilão antes das monções


A lareira de Circe queima a noite toda

Vou baixar todos os programas da Hebe no e-mule

Que ela me evoca as festas antigas nos Montes da Trácia

E esse haxixe, desconfio, não é o marroquino...

Me prejudica.

Ezra Pound segue me guiando

Seus versos são meus passos

E o saque literário é o gênese da poesia.

Moças fodidas e as bestas pesadas de sono


Bares Vazios na esquina do sinal

Festas nos portos perdidos em Macau

Terras onde o dia tarda mais que no ocidente

Guerras de bestas amansadas, de moças inocentes,

Terras de lenda de dilúvio,

Málaca, Valparaíso, Glasgow, a Tebas Hekantophylus

Na hora que rezo pra dormir

Transborda em mim todo o espírito rapace que aniquila impérios

e é sempre involuntário

Sou eu,

o que derruba as muralhas

O que implode os edifícios

O que assusta as crianças


Mato os cachorros que latem

faço arder as avós

Faço arder de tudo...

Todos os livros proibidos...

Faço arder...


Na verdade não faço...

Mando fazer!

.

Um comentário:

RAMSÉS disse...

porra -- eu tava andando por aí , doido , bebado , drogado : sentindo o estige correr pelas minhas artérias quando de súbito olho pra baixo e vejo um pedaço de vidro de uma garrafa de guaraná taí . Ergui o vidro na direção de uma luz do poste prestes a cair nas nossas cabeças -- foi quando um pensamento invadiu a minha alma , uma voz confiante me acalentou e segui como a divizão panzer enquanto a voz me cantava : LEME LEME LEM YOU KNOW . . .

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841