quarta-feira, 29 de abril de 2009

Canção Nova

.

Em pleno uso da poesia,
sorrio pela manhã no mercado do peixe
as pedras funcionam mesmo que lá as deixe
Já cansadas das águas em seu comércio perpétuo
.
Não tive intenção de roubar esse rio
tampouco de pintar o oceano ou a casa arruinada
não queria, em palavras, anunciar a loucura da Barra
ou mostrar a eles que estávamos embriagados de um engradado de estrelas
rolávamos cambalhotas sob os muros do farol
.
Acende as fogueiras
ergue piras nas pontas das paisagens
deixa que o fogo sozinho precipita-se
nem um Buda descobre seu caminho sem insetos
segue pela madrugada branca atrás das belugas
que se escondem na folhagem
.
Metade do tempo enrugado como um couro
.
Só o mato que toma conta dos fundos da rodoviária
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O cheiro de águas abertas descendo pelos abandonos
..
As portas que proíbem roupas leves
como uma estrada repleta de tanques
os pântanos repousam em suas prateleiras de riga
os institutos acolhem formigas e suas pesquisas e tendências
nas paradas de trem obsoletas já retornam os carros de boi
.
As cidades riem nas ruas até certo ponto
as pessoas de fora talvez não entendam a paisagem
os peixes talvez sonhem ser borboletas ou abelhas
e as pedras talvez invejem as cidades, invejem seus morcegos
.
E as ruas, até certa hora, escutam silêncios com a brandura
da terra abusada e extraordinária, nos pátios amanhecidos de chuva
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O prazo de decifrar as horas e ladrilhos
e nesse verso celebro como uma grande praça
a decorar os mapas de todas as coisas
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17 comentários:

Mariana Botelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mariana Botelho disse...

"O prazo de decifrar as horas e ladrilhos
e nesse verso celebro como uma grande praça
a decorar os mapas de todas as coisas."
Genial.

menta disse...

lindo

Paulo Henrique Motta disse...

e sobrou para as belugas nadar tão raso...

Fulano di Tal disse...

Tal como o mal cheiro da discordia escorrido em sodoma
sigo triste como as valas abertas na favela da kelson
as cidades sangram e choram seu descompasso
as pedras refuncionalizadas sonham sim com o fim de uma escravidão
e a arte que ainda resta e rebrota em estampados de revoltam a contragosto da moral vigente
são o prenuncio de profecias antigas
Melquisedeque chorou pelos que renegaram a redenção
pois assim como em são paulo na época do fogo
gomorra se desfez em cinzas
Salem talvez seje um vilarejo no meio da bahia
e sião uma praia onde os peixes ainda tem tempo de sonhar ao sul de pernambuco
o ar denso putrefa a poesia que me habitava
e os habitos tão apagados de estrelas
se esguiam por qualquer impulso
rumo a um copo, um jogo ou missão passivel de susto
por um qualquer prenuncio de vida
se anseia meu peito
pos postumas continuam sendo minhas descrições

Mariana Ferreira disse...

.........

Anônimo disse...

A volta do Carlos Whitman Gaspar que todos conhecemos e amamos!

Carleto Gaspar 1797 disse...

Valeu Mariana!!


Grande Abraço

Carleto Gaspar 1797 disse...

linda

Carleto Gaspar 1797 disse...

domesticar belugas em Niterói...

Carleto Gaspar 1797 disse...

domesticar belugas em Niterói...

Carleto Gaspar 1797 disse...

Valeu Sonkel!!!

Eh Noix

Carleto Gaspar 1797 disse...

!!!!!!!!!!!!!!!!

Carleto Gaspar 1797 disse...

Muito curioso pra descobrir quem é essa anônimo!!!

Carleto Gaspar 1797 disse...

(Esse Poema foi encontrado em um HD perdido)

Carleto Gaspar 1797 disse...

Vlwww

Kanon disse...

KANON!

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841