segunda-feira, 2 de julho de 2007

Ode à Enciclopédia Universal dos Passos -


I


ó valente enciclopédia azul

sempre um chão sob os pés

mas o chão sobre as nuvens


ó terna companheira das horas de vou

eterna mensageira do conflito e da caserna

interno exílio do instante vivo aqui em outras eras

inverno do perímetro das vilas e pântanos bubônicos


ó coléricos dervixes de tuberculosas genitálias

ó pestilentos homens de gengiva pura em sangre

ó veleiros de cascos vazados de nulas provisões infantes

ó calçados nas panelas, sopas de couro duro e cordame


valente e longeva enciclopédia azul dos mares

sempre um chão sob os pés

mas um chão sob as nuvens


gangorras de tifo a balançar balanços no porão de seus volumes

ó amarelos negros, embrulhados roxos

ó navios de agouro morto dos mares e criméias

ó navegadores sombrios cruzes cortes cooks e pizarros


ó fredericos catarinas dantons e flavius josefus

ó assurbanipals dioclecianos leopoldos e josés

ó lucrécios caminhas cochranes e kublais

ó aníbais e rolandos bolívares e drakes


valente e imortal enciclopédia de catedrais e cânticos

um chão sob os pés

mas sempre longe do chão


(procissões douradas arrastam-se nas estradas como grande lagarta sobre rodas,

e os sinos de bronze cantam nos cabrestos como lutos perfumados

mármores da numídia escorrem sobre aquedutos de âmbar da dalmácia e

num tapete mágico, pelas enciclopédias e papiros

vou cantando)


ó bélica arrogante, sedutora enciclopédia azul

um chão sob os pés

mas sempre um longe do chão


na casa de campo do lado de fora da oficina e do assoalho

Passam triunviratos, grandes pestilências, comboios de flechas do inimigo

despertam incursões de normandos no vale do gâmbia e zambeze, incursões de Conrad pelo rio maior

ó sultões escravos, exércitos do volga, generais com febre nas estepes


avante cimitarras aríetes aljavas e butins

avante cavaleiros beduínos de gaza e ouarzazate

adiante políticas de alfabetização tiranos e inquisições

Adiante baías de piratas festas de bestas endêmicas


veterana e ancestral enciclopédia azul dos passos

sempre um chão sob os pés

mas sempre longe do chão


louvo a a ti castelos do loire lochstedt puerto de könisberg

muralhas de krak dês chevaliers cercos a liège abrigos da linha maginot

ordens teutônicas na costa do esqueleto refeitórios nas abadias da moldávia

pequenos feudos de sumatra cheirando louco o almíscar toda madrugada


louvo aos amigos e seres que fazem a enciclopédia viva como um mapa em tamanho natural

louvo os que amam montes sequóias e todas as árvores de porte

amo os que habitaram birmânias rodésias as pontes de porto velho

louvo toda a península malaia o estreito de amur e dardanelos

as passagens do oxus e corinto as mães os gratos e os capazes


mãe amiga e amante, querida enciclopédia azul:

sempre um chão sob os pés


mas sempre longe


(e ainda segue...)





7 comentários:

Anônimo disse...

ó artífice marechal carleto
sempre um verso sob dois céus
mas o verso sobre teus chãos.

cartografia desafiadora das horas
erudição azul encordada em teu verso
pranto de navegantes jônicos nas marolas para uma nau de nuvem
a enciclopédia abarca tua tripulação
dentro da enciclopédia tem um ciclo e todos os mares navegados
teu livro escreve mais páginas, ó artífice das horas cartografadas!

ó intrépido marechal
sempre um verso sob teus quantos céus
mas o verso sobre vôo.

andré disse...

fala sério

Ezra Pound disse...

Coitados dos que conquistam Londres e Paris!!!

Voltam ao lar sem melhores maneiras

Nem melhores caras

Apenas sonharam de perto o que viram;

Permanentemente estrangeiros.”

Luiz Coelho disse...

um verso sobre o chão
e uma larousse no balcão:
"aqui se faz, aqui se paga!
uma cerveja azul, por favor?"

L-ix-ERo disse...

as suas ordens Marechal!!!!

PH disse...

Ria e o mundo rirá com você.

Chore, e chorará sozinho.

Impávido que rei Mohamed D'Ali

Mesmo parecendo ser modesto

Exigindo Rocks?

Anônimo disse...

Essa é Linda!!!

Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841