.
Diversas
danças e jogos
e ensaios de
beligerância e ele
nos bailes aos
pares e ela
com certo receio
nas estampas
como da fama que
alguns carregam
a vida toda e
ele dono
dos campônios
na cintura a mania
e o propósito
dos saques
não negava-se
o prazer da
caça acreditando
que saber
profetizar o tempo
é ver a própria
dissolução e
cortejar o
próprio
fim
.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Basra VIII
domingo, 10 de agosto de 2008
Basra II
.
Simples a
percepção de
cair na
lembrança e
perceber o
hoje há
cinco milhões
de anos
atrás
e o
mesmo exato
do tempo
olhando sem
ver aquelas
idéias que
eu
não sem
claridade
sou incapaz
de roubar
.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Basra V
+ um tango do cavalo apeado
1.
e
no último capítulo, com pesar do desterro,
o dia inteiro anteontem e passando
por um velho que de laboriosas
feições inundava seus contos
e de fronte assim meio
ofendido talvez por
eu estar à frente
um pouco à
sua frente
no palco
2.
depois
a noiva
a irmã da noiva
a primeira dança da noiva
o rancor no bairro
as zonas de meretrício
ás as às
3.
antes
as certezas valentes
nos bancos da igreja
as certezas valentes
de farmácia
4.
aqui
a festa:
jagunços
na porta
escutam
um velho
bolero
de ilha
5.
suas selas
sem estribos
com descuido
esquecem freios
e aí tudo se perde
como um grande
pranto
de arreios
.
Basra IX
.
1.
o Adão desgarrado
olhos como brasas
na pata das cebolas
2.
o mesmo, mesmo diante da
velha palmeira abatida
3.
e pisar na
terra num ar
tão feliz como
navio risonho
em vista de final
de paisagem
4.
de obsceno
aconchego
o ladrilho
na embriaguez
da solidão
no banho
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Basra XXI
Mais alguns
lances no
terraço circular
mais alguns
três mil
homens na
defesa do fortim
mais um tanto a
profissão de
roubar tecidos
descuidar
das pedras
mais de outros bustos
nas rachaduras
persistência indigna
das pérolas
mais uma escada
que levasse ao interior do forte
brisa noturna
que nos levasse os
parágrafos
.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Basra IV
Quarenta e sete capitães arrebatados pelo jogo nos bordéis, e outras figuras enfileiradas no salão. o de caudalosos juncos que iluminava, na luz, os soldados, o qual com um vigor de sonolentos trotes. do cavalo apeado, sem cortesia sem lamentos sem cartas, os meses na consciência, o olho de fio aguçado. verbo de amplificação e montanha,
...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Basra XIX
.
O alicerce sulcava a
montanha mas
não era da
trilha visível
além do
que as gretas
trabalhavam para
distrair o viajante
só que refugiados
ignoravam as
regras do governo
provisório e
não me
surpreenderia se
envenenassem os poços
se pelo menos
refizessem as
portas
quando lá alcançaram
atrasados
um agrado
que jamais
me lembrava
o som daquelas
gotas no ar
condicionado
subterrâneo
da gruta e
o granito no
piso como
uma espécie
de consolo
para os órgãos
contra uma
reprovação que era
quase remorso de
havê-los destacado
e o último
capítulo pode
ser uma ponte
com o sétimo
mas talvez
ficasse melhor
com o terceiro
pelo significado
de serem
partes que
consumiram soldados
enquanto as outras
partes que transcrevi
falam do
último capítulo
de perto o mais
curioso daquele
que professei
o que assino
( levanta-se
testa a voz
com descição
na mesa) e
a rotina era
como se
esperasse de
um convidado
qualquer hostilidade
que justificasse
mostrar o punhal
mesmo que soubesse
que na frente
da mulher de
cabelos cacheados
estaria suado
e a prata não
reluziria tanto
então
chamar o
forasteiro que
dorme na
cocheira e
pelo braço
em lágrimas
a moça vê sua
torre de vertigem
à vista de todos
a moça vestida
a moça descalça
conforme o
plano o
movimento das
ruas arrefecia
mesmo sabendo
que seria um bom
dote para
o casamento
mas um estampido
chamou de volta
a atenção da
tropa e as
coisas não
passaram exatamente
como conto
as cores vivas
sem cessar
há dois anos
um após outro
e não me
surpreendi de
conversar com
eles na tarde
em que encontro
todos que sejam
alguma lembrança
e lutar um
ato só é
mais que todas
as horas dos
homens mais que
os homens
cujas pernas não
atravessaram o
campo de batalha
mais que
uma língua
secreta um
destino
um acaso que
toda negligência
deliberada
não ouvindo
clamor no
telhado subiram
para ordenar
mantimentos e
quanto mais
recordavam mais
nada se
compreendia
e os atos dos
loucos apareciam
como primores de
sensatez
e nas cavidades
onde se revezam
o túmulo e
florista e
o clima
demorava
numa grosseria
de léguas e
de madeira
pintada cantavam
os pastores
com seus
vocabulários de
palmeiras e
com pesar
a escrava de cabelos ruivos
desaparece
no solo da rua
e o microcosmo
do pensares
e as milhares
de aparências
segundo o
entendimento da
treva entre
o ser faminto
e o pedaço
de carne
na mesma baixa
lógica das
marés a
perder-se do
lado de cá
numa baía de
tais estranhezas
que nem o homem
das areias
nem o vizir
nem o de fama de covarde
nem o contrabando
e eu
disse-lhe: “falta
pouco para terminar
a obra, necessito
um último
adiantamento”
e ele responde
deixa que
inflem as
velas que aqui
concluirás esta
obra e assim
as autoridades
obedeceram
sem queixas
e Basra como
personagem central
pensou se a
sua inverossimilhança
seria de total
intolerável?
.
sábado, 5 de julho de 2008
Basra XV
.
é estávamos chegar
aos ouvidos do
quarto
precisamente chegar
sem arreios lendo
quase um sido
simétrico
e atirei-me fosse
ter num que
enganei sobre
o que riscou
o exato lugar
do novo parque
de artilharia
na ilha ocidental
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Basra XVII
quase tudo até
quase até a
memória
quase olhava sem
ver mas
recobrou o que
a princípio
lhe interessou
não sem claridade
por um breve
catálogo mental
grandeza
incapaz de
sair mesmo
com a umidade
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Dicionário da Estepe - Citações do Dicionário Kazar
.
“Apenas trabalho com uma espécie de dicionário de cores e é o espectador quem cria, a partir desse dicionário, frases e livros, ou seja, imagens. Tu também poderias proceder do mesmo modo escrevendo. Não se poderia oferecer ao leitor um dicionário cujas palavras constituiriam um livro, deixando-lhe a tarefa de compor um conjunto a partir dessas palavras:”
Atlas
“... e sua pele, curtida e encadernada, como um grande atlas, foi instalada em lugar de honra na corte do califa em Samara; ela subsistia como uma enciclopédia viva dos kazares que...”
Babel
“Sabiam desde a infância que os pássaros de Salônica e da África não falam a mesma língua, que as andorinhas da Albânia e as do Nilo não se compreendem e que só os albatrozes se exprimem em toda a parte com a mesma linguagem”
Compreender
“Então o Arcanjo Gabriel falou:
_Preovibed Potasta se Oslobiti...*
E o monge compreendeu que o arcanjo se expressava saltando os substantivos. Porque os substantivos são para os deuses, e os verbos para os homens pois”
n * Tendo atravessado bebentes enfurecer-se
(e (Em eslavo eclesiástico)
Despertar
“Para se acordar completamente basta escrever qualquer palavra, pois a escrita é em si mesma, um ato sobrenatural e divino, não-humano”
Ensino
“...Mas Metódio deu a recompensa ao pior; e disse: “O mestre ensina aos bons alunos em pouco tempo. É com os piores que passa mais tempo. Pois é o destino dos mais rápidos passar rapidamente...”
Estilita
“E os turcos o colocaram no alto de uma coluna grega e três arqueiros miraram-no com suas flechas”
Fronteiras
“foi quando uma testemunha viu um grupo de pessoas que carregavam enormes pedras, perguntando: “Onde devemos depositá-las:” e eram as marcas fronteiriças do império Kazar”
Futuro
Disse que o caminho mais seguro para chegar ao verdadeiro futuro (pois existe também um falso futuro) é ir na direção em que teu medo cresce, e pintou os doze apóstolos em tartarugas vivas e soltou-as na floresta”
Grupos étnicos
“Os kazares têm o encargo de defender o estado e sua unidade, devem proteger o reino e defendê-lo, enquanto os outros naturalmente, os judeus, os árabes, os gregos, os godos e os persas instalados na Kazária, puxam cada qual para seu lado, para o seu país de origem”
Homem
“Este espaço entre seus passos é mais estreito do que a garganta mais estreita do mundo, ou então enganamo-nos, como todos aqueles cuja visão serve mais à lembrança do que ao chão sob os pés...”
Ícones
“e sabem ler as cores como notas de música, letra ou números, quando entram numa mesquita ou numa igreja, ao verem os afrescos e os ícones, soletram lêem ou cantam o que está pintado e representado; são a prova de que os antigos pintores praticavam essa arte secreta e contestada”
Itil
“Mas há também um lugar em Itil, a capital kazar, onde duas pessoas (mesmo desconhecidas) que se cruzam podem trocar, como chapéus, seus nomes e seus destinos, e continuar assim sua vida num novo papel”
Jornada
“E com uma nova identidade atravessou o lago Meot e a porta Cáspia dos cimos caucasianos, onde foi acolhido por um enviado do Kaghan que depois conduziu os missionários bizantinos até Samandar, no Mar Cáspio, a residência de verão do Kaghan, onde se realizava a polêmica”
Leitura
Seu discurso dizia assim:
“Ao ler não absorvemos tudo que está escrito, nosso pensamento tem ciúmes de um outro, e a cada instante ele o encobre, porque não há em nós lugar suficiente para dois odores simultâneos”
Localização
“Vivem junto às tribos que chicoteiam o vento, têm relva na cabeça ao invés de cabelos e cujo pensamento é glacial, na Panônia, às margens do lago Balaton, onde os cabelos gelam no inverno e os olhos sob o vento tornam-se como uma colher pequena e uma grande”
Mulher
“Que desvario entre os abissínios,
Os gregos, os turcos e os eslavos
Quando me aproximo de suas mulheres...”
Náusea
“Ele os observava limparem os narizes com os dedos, comendo o catarro e sussurrando preces, lavavam os pés sem se descalçar, cuspiam na comida antes de engoli-la”
Oração
“ e suas mulheres davam à luz suspensas no ar, penduradas na árvore santa; domesticavam os peixes na lama dos pântanos e mostravam ao estrangeiros um velho que rezava tirando um peixe da lama, e deixando-o alçar vôo da palma da sua mão como se fosse um falcão caçador”
Pierre Menard
“Sem dizer uma palavra, o velho mandou-o entrar numa cela e mostrou um jovem pintor, ele olhou a imagem e ficou atônito. O jovem mexia as sombrancelhas como se fossem asas, e pintava tão bem quanto Nikon; não era nem melhor nem pior do que ele, era o mesmo "
Poética
Num cântaro,
o que não é
o cântaro,
na alma,
o que não é
o homem
Escutai, então, vós
que vos alimentais
do silêncio:
Questão
“Um exército comparece ao chamado se não compreende o chamado do clarim?”
Riso
“O risco é simples quando o homem ri de uma única coisa de cada vez, dizia, é o mais barato; em compensação, o riso provocado por duas ou três coisas ao mesmo tempo é bem mais caro; mas este riso é raramente encontrado, como tudo que é caro”
Significados
“E o lugar permanecera por um ano virgem de toda sonoridade e ele explicou-me cada palavra de oito maneiras diferentes: o sentido literal e o sentido espiritual, a linha que é modificada pela precedente e a linha que modifica a seguinte, o sentido secreto e o duplo sentido, o particular e o geral”
Tempo
“E em ambos os anos se embaralham os dias e as estações como cartas de baralho, misturando dias de inverno aos da primavera, e dias de verão aos de outono, eles acreditam que um peixe sem olhos vive nas profundezas do mar Cáspio e que, como um relógio, marca o único tempo exato do universo”
Tradução
“E fez um outro alfabeto com letras gradeadas, prendendo como um pássaro essa língua insubmissa”
Universo
“Da hierarquia das diferentes mortes, na verdade, o único contato possível entre todos os níveis da realidade, onde as mortes, como ecos entre ecos, respondem-se infindavelmente...”
Visão
“ O olho é um alvo para os objetos que estão à nossa frente, são eles que miram o olho e não o contrário, é uma ilusão achar que nossos pensamentos estão dentro de nossa cabeça, a cabeça e nós mesmos por inteiro estamos dentro dos nossos pensamentos, não sou eu que misturo as cores mas teu olho”
Zero
“assim ele cria todo o universo a partir de si mesmo, depois o engole e mastiga tudo que é velho, cuspindo um mundo rejuvenescido sendo que a diferença entre dois sins pode ser muito maior do que a que existe entre um sim e um não”
.
terça-feira, 24 de junho de 2008
`Abd ibn Rawahah
.
A tatuagem nos olhos
a corda nos papéis
e a parede
arranhando os olhos
os olhos em tom
menor que a própria
rua aos pingos
nos olhos e a rua
com o tráfego
de repetições
na passagem
o papel
na queda do corpo
o corpo em que
o outro
brilhará
sozinho
.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
Gustavo Sampaio Street Blues - por Pedro Bastos
Mendigos
São Budas
Bêbados vagabundos & tristes
Crianças felizes
A luz que irradia nos une
Procura
Não procura
Quem procura
Se perde
Não procuro
A luz
Deixo pro escuro
sexta-feira, 20 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
domingo, 15 de junho de 2008
domingo, 8 de junho de 2008
Paisagem - por Paulo Renato Porto Filho
.
É pequena a humana vi(n)da,
rápida visita aos monturos do tempo largo
rio espesso
de profundo calado.
É susto-chegada,
ensaio do fim
Breve como o suspiro da moça
e a mentira da flor.
Seria uma concha?
Nesga que se alarga ao vento
e ao calor do vário movimento.
Promessa de cosmo, o corpo
não é invólucro da alma
Tem sua verdade
Tem seus líquidos e subterfúgios,
sua pressa.
Quem existir saberá ter-lhe sido
Mas é preciso algum desprezo,
alguma corda a se soltar antes que arrebente.
Mas quem sabe
quem lhe saberá o ritmo, marítimo segredo?
É sutil a humana brisa,
fôlego dos astros
na passagem.
4 de Junho de 2008
sábado, 7 de junho de 2008
Noite véspera da manhã
.
Banhada por canais
concêntricos
sobrevoada por pipas
de cidade grande
as pessoas
não me reconhecem
nas ruas
com o
guepardo
na coleira,
mesmo
aqui entre
os pórticos
onde por acaso
me abriguei
da chuva
.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Oswald in Bahia
.
Bahia
mãe das canoas
sala dos remadores
verniz encrespado
das águas
tingidas
saveiros
ao relento
campos de
pesca ao redor
do sargaço
mar de galegos
veleiros criados
para o encontro
dos mestres
das saudades
de acesos
faróis nas fachadas
as árvores em
caldeirões de barro
cozendo as vísceras
dos ancestrais
e as ladeiras
.
domingo, 1 de junho de 2008
Enquanto
.
das coisas cativo
de hábitos de
imemorial enquanto
dos modos mesmo a
escala intempestiva
no trilho tempo cortante
o tempo corda de arco
lentamente
.
sábado, 31 de maio de 2008
Quarteto Bororo
.
Acompanhamento das vozes
e chocalhos feitos da cabaça verde
do cascalho-caingá e o corifeu
enchendo de pancadas secas o silêncio
modulando em crescendos e
decrescendos os dançarinos cegos
em alternâncias de vibrantes cantos
de língua baixa de articulações pesadas
de velha viúva sustentada em graves
horas a fio sobre o luto de cinco maridos
e do tempo feliz em que jamais lhe faltavam
a mandioca o milho a caça e o peixe
.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Canção dos Brutos (XVIII)
Que faremos jamais?
Caso chova lá em casa às cinco
aos olhos de um horizonte arrasado?
que sendas de azul violáceo,
que único mar no castelo da senda ao lago frio?
que o jovem continuou correndo
mesmo enquanto o barbeiro corria atrás dele
e leve era o peso, era diverso,
Leve, talvez, girar, na porta uma vez
a chave na qual pensamos, cada qual na sua
deitados sobre telhas
Que água fosse
E água uma nascente
Uma poça entre as rochas
Se ao menos aqui se ouvisse um sussurro de água
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Dinastias
Se anestesiados não estamos vivendo e é só fechar o corpo ou entorpecer-se, se afeto é força vazia de significado e nós como os avós cobríssemos de linhas as paredes, se com o tempo fôssemos com essa boca enorme pelos caminhos que levam ao fim e o professor, os vizinhos, o pastel e se os mapas do mundo ainda guardassem as crendices e o cabo das tormentas fosse a boa esperança, se ciência fosse a viagem, e metodologia, a estrada, se a linguagem como esporte das cavernas e a história marcada na carne como dinastias, se cada objeto, cada frase ou enunciado, se a vida como milagre, noturno pátio sem silêncio, se o sol é grande o fogo breve, se na lapa um beco onde demoliram a casa, de lá e de cá só desamparo
.
domingo, 25 de maio de 2008
O Homem
Desde o escudeiro combativo das terras áridas da ibéria até a garçonete esnobe de um pub em Newcastle desde o homem das fendas, das grutas o homem dos balões dos mares o homem da península da roça da cidadela das armaduras de couro e gibão desde o homem das belas damas de copas nas mangas das serras inatas bárbaro dos lajedos nômade rubro-amarelo
Padres e imperadores santos e carrascos estupradores e eunucos: cirurgião-barbeiro-paladino mestre dos clarins irmão dos clãs na noite boreal escravo mouro das lendas de cavalaria reles recruta no mar do mundo novo lírico como um homem talhado nos cedros da armênia lira para as bestas no inferno o mendigo podre a se masturbar na porta do teatro o estadista heróico a empreender suas grandes marchas de lamentos o vaqueiro manco sem lanternas lanceiro pesado raquítico & vaidoso buda em ascensão sob a figueira viciado em pico e chantagem
*
A roupa que vestimos em vida é apenas um desses mesmos disfarces que se repetem pelos séculos dos séculos; maquiagens dos nossos pobres caracteres designados desde antes; somos escravos desta mesma encenação, marionetes ingratas que desfilam nos palcos como entidades automáticas
*
O que acontece:
Chegando à vida senti saudades do passado épico que me precedia; não haverem mais terras a serem descobertas, não haverem mais grandes tesouros para serem revelados, grandes manadas a atravessar as pradarias, não ser mais o mundo tão aventuresco e obscuro como outrora (a foz dos rios repletas de hipopótamos), e como encarnar em vida, hoje, um corajoso personagem épico, cruzar fronteiras ao sabor do destino, entregar-se irresponsavelmente aos caprichos da nômade senda?
E é aí que entra a literatura com elemento de potencializarão matemática da experiência humana, é ela que torna possível ao homem dominar tempo e realidade, expressar as cartografias de seu imaginário, através do jogo de criação viver a alteridade, o impossível, o improbable, escrever é brincar de divindade mesmo quando arrefecido por uma ansiedade elétrica no quarto do apartamento
.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
O vale
seus frutos na pradaria, me surgiu claramente
a oportunidade perfeita de ferver a água
(eram versos que soavam descendo
afora as espingardas e assim
terminavam as velhas
safras do
barão)
.
domingo, 18 de maio de 2008
Stio
Eu nunca quis pouco
mesmo que na passagem
dos desertos, sob a insolação
das grandes marchas mesmo
quando um filho das carroças
Nunca com a aventura histérica dos rebanhos
com o êxito dos seres em manadas nunca esse
elixir do gosto, o pasto, essas modas de alento gasto
Sim, à ânsia nova, nova e guiada por uma solução das roças
na pródiga cabana enfim apesar do tempo assim são as horas de
stio
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Novíssima História Provisória (parte V)
III
843: império franco: divisão entre os três netos de carlos magno: os soberanos da grande
VIII
Quando os daneses na pilhagem da inglaterra, ainda na exploração do curso inferior dos rios na rússia e também no saque das terras ao redor de bari, quando oleg, o grande, príncipe de novgorod através do lançamento de expedições de pirataria contra os varegues e os moradores da laguna em veneza, quando os hunos brancos e a descoberta de matilhas nas canárias, quando os coloniais sobre a última borda do mar de areia por Magnus Barfod, quando na caça às morsas na ilha de Baffin
XIV
Em 1014 o conde das órcadas no fracasso da tentativa de ataque a dublin e o reino armênio de vaspurakan, anexo dos bizantinos que com assinaturas com reinos normandos da grã-bretanha e o sultanato seljúcida mais as obras completas do Ésquilo no volga junto aos principados de smolensk sobre cápua-benevento conquanto os gaznávidas em recuo no afeganistão, os mesmos selêucidas pela gradativa conquista do irã e crescente, em bagdá,
XVI
Guilherme, chamado de o "bastardo", após a morte de canuto & guilherme, chamado de o "conquistador" depois da morte de harold & guilherme, no dia da coroação na torre, registro da aquisição da borgonha & guilherme, a catástrofe de manzikert, captura de toledo, camas da ultima versão antiga da fábula de esopo "as rãs que vontade de ser reis"
XVII
Na boêmia a essa altura com relutância os despachos de: "nicéia. sob os cruzados" e raimundo de toulouse e as tropas de boemundo carlomano na travessia das pontes de antioquia após dezoito meses ; se: atuação em conjunto ou seja os emires de mossul mais aleppo e damasco = esmagamento dos francos: que a abertura dos portões de jerusalém para os fatimídas como o desejo do imperador espanha de almorávidas sem convivência + perda de zaragoza para navarra & polônia em desintegração no báltico cruzada do norte de um segundo impulso & arenque tecidos de cobre com altos padrões em destaque & prata i
XIX
Alume, nishapur, alume! Alume, isfahan, salônica! Ele, carlos de anjou, do canato da horda dourada de frederico ii de hofenstaufen o primeiro, do piemonte em luta, senhor da itália rei de corfu da provença dos contrafortes da albânia o alexandre nevski alinhado aos mongóis nas ilhas baleares com um reino separado às vésperas sicilianas e carlos em graves apuros os noruegueses e a submissão dos islandeses em 1248 no mar cáspio dos povos khazares (se a questão dos três missionários) e o fim da religião ancestral dos templos, onde as pessoas, em trocas de ser com outras pessoas: "a partir de hoje e por uma semana eu você e você eu" e a troca em absoluto
XX
Ele, o flandres, excedente de mão-de-obra rural, ele o algodão e o açúcar as peles os centeios, mas ricardo iii que não aberto aos credores, ele os bardi os peruzzi (1343), que na ruína pela inadimplência do monarca, ele em hansa o constante superávit comercial de florins e genovinos: peso: ambos,
XXII
Os francos em maus lencóis em poitiers o canato uzbeque a sério nas provocações do emir de karaman e carlos, o temerário, a vida ao canto libertas, a guarnição que com base em nancy, luiz xi, a vontade luiz xi, o matrimônio, luiz xi, o êxito, rei da princesa dos habsburgo, luiz xi, cinco os cardeais em recuo para avignon e então: papel para aos árabes através de samarcanda, os relógios de lugar na sala das estalagens; as bestas do século ii a.c. chinesas fábricas em aço na bavária; a imprecisão com blocos de madeira de johannes e a gana do marfim nos capitães-do-mato e bojadores, além da barra sul do loire de akan au guiné
XXIV
Tarim selênico de york, visby de nortúmbria, calábria selênica de gobi, holstein kola, said carlos iii, o simples, si, savóia, tashkent sri, a resposta. Ural esteps, cumprimento de rhodes, o tirol. Sahel, sri lanka, sahel, zanzibar neva, taurus. turingia niebla, nínive. Cosroes, cômodo a alarico? jutos, odoacro?
Domus haxix, a creta hagia de delhi & gibbon!
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Por Muhammad Ibn Ishaq
Se a mãe largou o
marido para trás
se Dario atacou todas
as regiões da terra
se o discípulo se
recusa a atender
o telefone
se barbitúricos
se flautistas
se o excesso
de trabalho
Desculpem.
São os índios que
usam o vento como
baquetas
são os anjos que
fabricam os isqueiros
são os peixes que
carregam no lombo
a espinha.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Caetano + Gullar
"Por que,
não sei dizer
Saiba
Diga você"
A obra faísca de galáxias abertas
de olhos faiscantes de hélio e hidro
gênio, de homens que roubam metais
nas estradas, caçando bichos e senti
nelas sonhando desde as entranhas
como reis que não tem fim. Eu falo
não calo, deixo estar triste como um
bicho triste, deixo luzir nas estradas
como rochedos brancos, sair em -------- locomotivas\\
pelos séculos, nas mãos o coração de
menino, sem voar, fibras tensas,
a assistir a guerras e festas
imensas
terça-feira, 29 de abril de 2008
A vitória alada de Samotrácia
..
O rei de Assur convoca seus valentes:
Precipitam-se até as muralhas; instala-
se o abrigo. São forçadas as portas que
dão para o jazigo. A estátua é coberta,
retirada; suas servas, queixosas, são
levadas. Pássaros pousam nas cebes.
No tempo frio, brilha o sol.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Excursus - Por Luiz Coelho
A Isabel Diegues
Subúrbio, umidade relativa do ar: 75%. Um micro quarto, duas mariposas em torno de um corpo rígido defunto observam o silêncio mórbido. Não se sabe como procede a respiração das mariposas. Do corpo se sabe pouco: estático e impenetrável e sem respiração. Ao largo, na janela pequena, decerto um basculante, moscas entram e saem, no que parece, à espera, na espreita. As paredes caiadas contêm narrativas de infiltrações; sob mãos de tinta. Branca a parede absorve a luz lívida que ocupa os espaços que a fresta permite. O bocal sem lâmpada pende no centro do cômodo sem dar notícias do interruptor. Da rígida respiração dos cômodos, vazada por uma colônia de cupins, e da lixeira onde duas cascas de tangerina, antigas, liberam-se os amadeirados e cítricos perfumes. Discursos subjugados por uma membrana plástica desvelam a falsa quietude do álbum de fotografias sobre a escrivaninha empoeirada. Nenhuma melancolia a ser sentida, talvez nos recados em folha amarelada nos imãs da geladeira: telefones úteis, lembretes e uma receita de suflê. Não se tem certeza se aquela atmosfera atrai abutres, posto que a podridão é um estado. Ao derredor, a dor testemunharia sozinha sem deliberação explícita. Sobre a penteadeira o espelho repete o foco das tomadas permitidas por sua posição, intermediado por uma crosta de poeira é liberado de precisão e de credibilidade. Por goteiras o ritmo das estações é marcado, suas articulações denotam mudanças bruscas de tempo. A corrupção do piso subverte qualquer possibilidade de incêndio, o que em muito é vantajoso para as formas de vida que habitam o complexo. Não falta alimento. Traças se servem de uma diversidade de sabores: almofadas e livros; compreendendo em sua refeição a celeuma cultural e o descanso de outros corpos. Sob o corpo: um tapete. Sobre o corpo: pêlos persas. Entre os pêlos e o corpo: silêncio. Levanta-se a suspeita de que o cenário em torno do corpo pode deteriorar-se, embora seja próprio à ciência identificar, ao contrário do seu senso comum, fórmulas de sobrevivência. Dessa forma, nosso comentário elíptico sobre a brevidade da vida dos insetos fica em suspenso. Os rumores não levam a lugar algum, exceto ao comum: as paredes creditam a existência de antigas narrativas e afetuosidades, neste organismo arquitetônico, fato atestado pela presença de um corpo, apesar da inexistência de folhas em branco o que obstrui qualquer liturgia.
domingo, 27 de abril de 2008
Nas arenas da Ilíria
I
Eu nunca quis pouco
mesmo que na passa
gem dos desertos, so
b a insolação das gra
ndes marchas mesmo
quando apenas um fi
lho das carroças
nunca com a
aventura histérica do
s rebanhos com o êxi
to dos seres em mana
das nunca esse elixir
do gosto o pasto essa
s modas de alento gast
o sim, à ânsia nova, no
va e guiada simples p
or uma solução, de de
pressão nas roças, na p
ródiga cabana enfim a
pesar do tempo assim
são as horas de
stio
.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Κλεοπάτρα Φιλοπάτωρ (69 a.C. - 30 a.C.)
Cleopátra Philopátor (69 a.C. - 30 a.C.)
"Estamos juntos
ainda que não
reconheças
minha voz
estamos juntos
ainda que não
sejas vidente
e não saibas.
Mas saibas que
estamos juntos.
Não hoje nem
em Roma nem
numa cidade ao
sol, Alexandria,
nem como,
deveras; só
saiba uma
vez
que estamos
juntos:
onde e como
sempre ainda
claro e tanto
e por pouco
não passamos
a virada
ou qualquer
prática,
ou reconhecimento.
Não é amor
não é qualquer
tipo de avesso
não é só estarmos
juntos
ainda que não
saibas, ainda que
não tenhas para ti;
e não penses, que
não tentes cavar
o fundo, não
tentes saber
o agasalho
não fales
não olhes,
não
duvides.
Estamos juntos
e é nada
nada pra dizer
que é isso.
Sem começo
sem tardes
sem causas
sem surgir
sem terminar
apenas
a história.
Estamos juntos
A partir da hora!
e vais ver
que uma vez
partindo
Não Paramos
Nunca, nunca mais."
Marechal Carleto Gaspar 1841



