segunda-feira, 30 de junho de 2008

Dicionário da Estepe - Citações do Dicionário Kazar

.

“Apenas trabalho com uma espécie de dicionário de cores e é o espectador quem cria, a partir desse dicionário, frases e livros, ou seja, imagens. Tu também poderias proceder do mesmo modo escrevendo. Não se poderia oferecer ao leitor um dicionário cujas palavras constituiriam um livro, deixando-lhe a tarefa de compor um conjunto a partir dessas palavras:”

Atlas

“... e sua pele, curtida e encadernada, como um grande atlas, foi instalada em lugar de honra na corte do califa em Samara; ela subsistia como uma enciclopédia viva dos kazares que...”

Babel

“Sabiam desde a infância que os pássaros de Salônica e da África não falam a mesma língua, que as andorinhas da Albânia e as do Nilo não se compreendem e que só os albatrozes se exprimem em toda a parte com a mesma linguagem”

Compreender

“Então o Arcanjo Gabriel falou:

_Preovibed Potasta se Oslobiti...*

E o monge compreendeu que o arcanjo se expressava saltando os substantivos. Porque os substantivos são para os deuses, e os verbos para os homens pois”


n * Tendo atravessado bebentes enfurecer-se

(e (Em eslavo eclesiástico)

Despertar

“Para se acordar completamente basta escrever qualquer palavra, pois a escrita é em si mesma, um ato sobrenatural e divino, não-humano”

Ensino

“...Mas Metódio deu a recompensa ao pior; e disse: “O mestre ensina aos bons alunos em pouco tempo. É com os piores que passa mais tempo. Pois é o destino dos mais rápidos passar rapidamente...”

Estilita

“E os turcos o colocaram no alto de uma coluna grega e três arqueiros miraram-no com suas flechas”

Fronteiras

“foi quando uma testemunha viu um grupo de pessoas que carregavam enormes pedras, perguntando: “Onde devemos depositá-las:” e eram as marcas fronteiriças do império Kazar”

Futuro

Disse que o caminho mais seguro para chegar ao verdadeiro futuro (pois existe também um falso futuro) é ir na direção em que teu medo cresce, e pintou os doze apóstolos em tartarugas vivas e soltou-as na floresta”

Grupos étnicos

“Os kazares têm o encargo de defender o estado e sua unidade, devem proteger o reino e defendê-lo, enquanto os outros naturalmente, os judeus, os árabes, os gregos, os godos e os persas instalados na Kazária, puxam cada qual para seu lado, para o seu país de origem”

Homem

“Este espaço entre seus passos é mais estreito do que a garganta mais estreita do mundo, ou então enganamo-nos, como todos aqueles cuja visão serve mais à lembrança do que ao chão sob os pés...”

Ícones

“e sabem ler as cores como notas de música, letra ou números, quando entram numa mesquita ou numa igreja, ao verem os afrescos e os ícones, soletram lêem ou cantam o que está pintado e representado; são a prova de que os antigos pintores praticavam essa arte secreta e contestada”

Itil

“Mas há também um lugar em Itil, a capital kazar, onde duas pessoas (mesmo desconhecidas) que se cruzam podem trocar, como chapéus, seus nomes e seus destinos, e continuar assim sua vida num novo papel”

Jornada

“E com uma nova identidade atravessou o lago Meot e a porta Cáspia dos cimos caucasianos, onde foi acolhido por um enviado do Kaghan que depois conduziu os missionários bizantinos até Samandar, no Mar Cáspio, a residência de verão do Kaghan, onde se realizava a polêmica”

Leitura

Seu discurso dizia assim:

“Ao ler não absorvemos tudo que está escrito, nosso pensamento tem ciúmes de um outro, e a cada instante ele o encobre, porque não há em nós lugar suficiente para dois odores simultâneos”

Localização

“Vivem junto às tribos que chicoteiam o vento, têm relva na cabeça ao invés de cabelos e cujo pensamento é glacial, na Panônia, às margens do lago Balaton, onde os cabelos gelam no inverno e os olhos sob o vento tornam-se como uma colher pequena e uma grande”

Mulher

“Que desvario entre os abissínios,

Os gregos, os turcos e os eslavos

Quando me aproximo de suas mulheres...”

Náusea

“Ele os observava limparem os narizes com os dedos, comendo o catarro e sussurrando preces, lavavam os pés sem se descalçar, cuspiam na comida antes de engoli-la”

Oração

“ e suas mulheres davam à luz suspensas no ar, penduradas na árvore santa; domesticavam os peixes na lama dos pântanos e mostravam ao estrangeiros um velho que rezava tirando um peixe da lama, e deixando-o alçar vôo da palma da sua mão como se fosse um falcão caçador”

Pierre Menard

“Sem dizer uma palavra, o velho mandou-o entrar numa cela e mostrou um jovem pintor, ele olhou a imagem e ficou atônito. O jovem mexia as sombrancelhas como se fossem asas, e pintava tão bem quanto Nikon; não era nem melhor nem pior do que ele, era o mesmo "

Poética

Num cântaro,

o que não é

o cântaro,

na alma,

o que não é

o homem

Escutai, então, vós

que vos alimentais

do silêncio:

Questão

“Um exército comparece ao chamado se não compreende o chamado do clarim?”

Riso

“O risco é simples quando o homem ri de uma única coisa de cada vez, dizia, é o mais barato; em compensação, o riso provocado por duas ou três coisas ao mesmo tempo é bem mais caro; mas este riso é raramente encontrado, como tudo que é caro”

Significados

“E o lugar permanecera por um ano virgem de toda sonoridade e ele explicou-me cada palavra de oito maneiras diferentes: o sentido literal e o sentido espiritual, a linha que é modificada pela precedente e a linha que modifica a seguinte, o sentido secreto e o duplo sentido, o particular e o geral”

Tempo

“E em ambos os anos se embaralham os dias e as estações como cartas de baralho, misturando dias de inverno aos da primavera, e dias de verão aos de outono, eles acreditam que um peixe sem olhos vive nas profundezas do mar Cáspio e que, como um relógio, marca o único tempo exato do universo”

Tradução

“E fez um outro alfabeto com letras gradeadas, prendendo como um pássaro essa língua insubmissa”

Universo

“Da hierarquia das diferentes mortes, na verdade, o único contato possível entre todos os níveis da realidade, onde as mortes, como ecos entre ecos, respondem-se infindavelmente...”

Visão

“ O olho é um alvo para os objetos que estão à nossa frente, são eles que miram o olho e não o contrário, é uma ilusão achar que nossos pensamentos estão dentro de nossa cabeça, a cabeça e nós mesmos por inteiro estamos dentro dos nossos pensamentos, não sou eu que misturo as cores mas teu olho”

Zero

“assim ele cria todo o universo a partir de si mesmo, depois o engole e mastiga tudo que é velho, cuspindo um mundo rejuvenescido sendo que a diferença entre dois sins pode ser muito maior do que a que existe entre um sim e um não”

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terça-feira, 24 de junho de 2008

`Abd ibn Rawahah

.
A tatuagem nos olhos
a corda nos papéis
e a parede
arranhando os olhos
os olhos em tom
menor que a própria
rua aos pingos
nos olhos e a rua
com o tráfego
de repetições
na passagem
o papel
na queda do corpo
o corpo em que
o outro
brilhará
sozinho

.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Al-Musta'sim - 1258

.

"Vivo adormecido morto cansado,

de serra a coragem

de olhos a valentia"


.

..

domingo, 22 de junho de 2008

Gustavo Sampaio Street Blues - por Pedro Bastos

.

Mendigos

São Budas

Bêbados vagabundos & tristes

Crianças felizes


A luz que irradia nos une

Procura

Não procura

Quem procura

Se perde


Não procuro

A luz

Deixo pro escuro


.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

domingo, 15 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Paisagem - por Paulo Renato Porto Filho

.

A Manoel da Silveira Porto Filho


É pequena a humana vi(n)da,

rápida visita aos monturos do tempo largo

rio espesso

de profundo calado.

É susto-chegada,

ensaio do fim

Breve como o suspiro da moça

e a mentira da flor.

Seria uma concha?

Nesga que se alarga ao vento

e ao calor do vário movimento.

Promessa de cosmo, o corpo

não é invólucro da alma

Tem sua verdade

Tem seus líquidos e subterfúgios,

sua pressa.

Quem existir saberá ter-lhe sido

Mas é preciso algum desprezo,

alguma corda a se soltar antes que arrebente.

Mas quem sabe

quem lhe saberá o ritmo, marítimo segredo?

É sutil a humana brisa,

fôlego dos astros

na passagem.


4 de Junho de 2008

sábado, 7 de junho de 2008

.
* Dança de extinção no tempo


* Equação impossível da escolha


* Matemática tediosa da espera


.

Noite véspera da manhã

.

Banhada por canais

concêntricos

sobrevoada por pipas

de cidade grande

as pessoas

não me reconhecem

nas ruas

com o

guepardo

na coleira,

mesmo

aqui entre

os pórticos

onde por acaso

me abriguei

da chuva

.


segunda-feira, 2 de junho de 2008

Oswald in Bahia


.

Bahia

mãe das canoas

sala dos remadores

verniz encrespado

das águas

tingidas


saveiros

ao relento

campos de

pesca ao redor

do sargaço

mar de galegos


veleiros criados

para o encontro

dos mestres

das saudades

de acesos

faróis nas fachadas


as árvores em

caldeirões de barro

cozendo as vísceras

dos ancestrais

e as ladeiras


.

domingo, 1 de junho de 2008

Enquanto

.

das coisas cativo


de hábitos de

imemorial enquanto


dos modos mesmo a

escala intempestiva


no trilho tempo cortante

o tempo corda de arco


lentamente


.

sábado, 31 de maio de 2008

Quarteto Bororo

.
Acompanhamento das vozes
e chocalhos feitos da cabaça verde
do cascalho-caingá e o corifeu
enchendo de pancadas secas o silêncio

modulando em crescendos e
decrescendos os dançarinos cegos
em alternâncias de vibrantes cantos
de língua baixa de articulações pesadas

de velha viúva sustentada em graves
horas a fio sobre o luto de cinco maridos
e do tempo feliz em que jamais lhe faltavam
a mandioca o milho a caça e o peixe

.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Canção dos Brutos (XVIII)

*
O Caos
.
de noite com os reis e os grandes,
as pedras transmutadas em gente,
o banho quente às onze,
rubro nos olhos, unhas
quebradas, e o que faremos
amanhã, Narses?

Que faremos jamais?


Caso chova lá em casa às cinco
.
Narses, que embuçadas hordas são essas
aos olhos de um horizonte arrasado?
Que cidades com substância de anjo largo,
que sendas de azul violáceo,
que único mar no castelo da
senda ao lago frio?
.
Se o o alfaiate disse ao rei da China
que o jovem continuou correndo
mesmo enquanto o barbeiro corria atrás dele

e leve era o peso, era diverso,
leve talvez era o vagão quem dera
o peso, leve talvez tenha alcançado a
linha secundária da
great eastern railway

Leve, talvez, girar, na porta uma vez
e apenas
uma vez

a chave na qual pensamos, cada qual na sua
prisão

deitados sobre telhas
sob o lume do espaço,
coragem,

ante o baque macio
do tempo
.
.
e se aqui houvesse rocha
Que água fosse
E água u
ma nascente
Uma poça entre as rochas

Se ao menos aqui se ouvisse um sussurro de água
.
a T.S. Eliot..
...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dinastias

.
Se anestesiados não estamos vivendo e é só fechar o corpo ou entorpecer-se, se afeto é força vazia de significado e nós como os avós cobríssemos de linhas as paredes, se com o tempo fôssemos com essa boca enorme pelos caminhos que levam ao fim e o professor, os vizinhos, o pastel e se os mapas do mundo ainda guardassem as crendices e o cabo das tormentas fosse a boa esperança, se ciência fosse a viagem, e metodologia, a estrada, se a linguagem como esporte das cavernas e a história marcada na carne como dinastias, se cada objeto, cada frase ou enunciado, se a vida como milagre, noturno pátio sem silêncio, se o sol é grande o fogo breve, se na lapa um beco onde demoliram a casa, de lá e de cá só desamparo
.

.
Desamparo

Desamparo

Desamparo

Desamparo

Desamparo

domingo, 25 de maio de 2008

O Homem

.

Desde o escudeiro combativo das terras áridas da ibéria até a garçonete esnobe de um pub em Newcastle desde o homem das fendas, das grutas o homem dos balões dos mares o homem da península da roça da cidadela das armaduras de couro e gibão desde o homem das belas damas de copas nas mangas das serras inatas bárbaro dos lajedos nômade rubro-amarelo

Padres e imperadores santos e carrascos estupradores e eunucos: cirurgião-barbeiro-paladino mestre dos clarins irmão dos clãs na noite boreal escravo mouro das lendas de cavalaria reles recruta no mar do mundo novo lírico como um homem talhado nos cedros da armênia lira para as bestas no inferno o mendigo podre a se masturbar na porta do teatro o estadista heróico a empreender suas grandes marchas de lamentos o vaqueiro manco sem lanternas lanceiro pesado raquítico & vaidoso buda em ascensão sob a figueira viciado em pico e chantagem

*

A roupa que vestimos em vida é apenas um desses mesmos disfarces que se repetem pelos séculos dos séculos; maquiagens dos nossos pobres caracteres designados desde antes; somos escravos desta mesma encenação, marionetes ingratas que desfilam nos palcos como entidades automáticas

*

O que acontece:

Chegando à vida senti saudades do passado épico que me precedia; não haverem mais terras a serem descobertas, não haverem mais grandes tesouros para serem revelados, grandes manadas a atravessar as pradarias, não ser mais o mundo tão aventuresco e obscuro como outrora (a foz dos rios repletas de hipopótamos), e como encarnar em vida, hoje, um corajoso personagem épico, cruzar fronteiras ao sabor do destino, entregar-se irresponsavelmente aos caprichos da nômade senda?

E é aí que entra a literatura com elemento de potencializarão matemática da experiência humana, é ela que torna possível ao homem dominar tempo e realidade, expressar as cartografias de seu imaginário, através do jogo de criação viver a alteridade, o impossível, o improbable, escrever é brincar de divindade mesmo quando arrefecido por uma ansiedade elétrica no quarto do apartamento

.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O vale


Enquanto a captura dos cafezais estava sendo consolidada, e o inverno subseqüente estacionava
seus frutos na pradaria, me surgiu claramente
a
oportunidade perfeita de ferver a água

(eram versos que soavam descendo
afora as espingardas e assim
terminavam as velhas
safras do
barão)


.

domingo, 18 de maio de 2008

Stio


Eu nunca quis pouco
mesmo que na passagem
dos desertos, sob a insolação
das grandes marchas mesmo
quando um filho das carroças


Nunca com a aventura histérica dos rebanhos
com o êxito dos seres em manadas nunca esse
elixir do gosto, o pasto, essas modas de alento gasto

Sim, à ânsia nova, nova e guiada por uma solução das roças
na pródiga cabana enfim apesar do tempo assim são as horas de

stio

.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Novíssima História Provisória (parte V)

III

843: império franco: divisão entre os três netos de carlos magno: os soberanos da grande morávia com desconhecimento das partilhas e amálgamas da linhagem dos carolíngios: nos principados lombardos: meia dúzia de cidades portuárias e trocas com os reinos da escandinávia:

VIII

Quando os daneses na pilhagem da inglaterra, ainda na exploração do curso inferior dos rios na rússia e também no saque das terras ao redor de bari, quando oleg, o grande, príncipe de novgorod através do lançamento de expedições de pirataria contra os varegues e os moradores da laguna em veneza, quando os hunos brancos e a descoberta de matilhas nas canárias, quando os coloniais sobre a última borda do mar de areia por Magnus Barfod, quando na caça às morsas na ilha de Baffin

XI

Se vladimir de kiev, são simão estilita no topo do centro dinástico, se o abade de cluny, despido da carga / se log (os portos de hedeby) - log (mar de azov) + log (alto dvina) = se exércitos turcos de mahmud de ghazni em embate contra o rei svend barba no Punjab wczoraj przedwczoraj si

XIV

Em 1014 o conde das órcadas no fracasso da tentativa de ataque a dublin e o reino armênio de vaspurakan, anexo dos bizantinos que com assinaturas com reinos normandos da grã-bretanha e o sultanato seljúcida mais as obras completas do Ésquilo no volga junto aos principados de smolensk sobre cápua-benevento conquanto os gaznávidas em recuo no afeganistão, os mesmos selêucidas pela gradativa conquista do irã e crescente, em bagdá, 1055; a parte muçulmana da transcaucásia em queda, na década seguinte cirenaica, trípoli, rabat &

XVI

Guilherme, chamado de o "bastardo", após a morte de canuto & guilherme, chamado de o "conquistador" depois da morte de harold & guilherme, no dia da coroação na torre, registro da aquisição da borgonha & guilherme, a catástrofe de manzikert, captura de toledo, camas da ultima versão antiga da fábula de esopo "as rãs que vontade de ser reis"

XVII

Na boêmia a essa altura com relutância os despachos de: "nicéia. sob os cruzados" e raimundo de toulouse e as tropas de boemundo carlomano na travessia das pontes de antioquia após dezoito meses ; se: atuação em conjunto ou seja os emires de mossul mais aleppo e damasco = esmagamento dos francos: que a abertura dos portões de jerusalém para os fatimídas como o desejo do imperador espanha de almorávidas sem convivência + perda de zaragoza para navarra & polônia em desintegração no báltico cruzada do norte de um segundo impulso & arenque tecidos de cobre com altos padrões em destaque & prata i

XIX

Alume, nishapur, alume! Alume, isfahan, salônica! Ele, carlos de anjou, do canato da horda dourada de frederico ii de hofenstaufen o primeiro, do piemonte em luta, senhor da itália rei de corfu da provença dos contrafortes da albânia o alexandre nevski alinhado aos mongóis nas ilhas baleares com um reino separado às vésperas sicilianas e carlos em graves apuros os noruegueses e a submissão dos islandeses em 1248 no mar cáspio dos povos khazares (se a questão dos três missionários) e o fim da religião ancestral dos templos, onde as pessoas, em trocas de ser com outras pessoas: "a partir de hoje e por uma semana eu você e você eu" e a troca em absoluto

XX

Ele, o flandres, excedente de mão-de-obra rural, ele o algodão e o açúcar as peles os centeios, mas ricardo iii que não aberto aos credores, ele os bardi os peruzzi (1343), que na ruína pela inadimplência do monarca, ele em hansa o constante superávit comercial de florins e genovinos: peso: ambos, 3,5 kg e teor comum de 100% lã cera couroferro trigo carvão e a epidemia 1346 ele o surto entre as marmotas ao sul da rússia cujas peles em venda a muitos mercadores da região, e na germânia a morte de um terço dos clérigos, de sarai à tana à caffa à constancia à messina à sevilha aos turcos cavaleiros de são petesburgo

XXII

Os francos em maus lencóis em poitiers o canato uzbeque a sério nas provocações do emir de karaman e carlos, o temerário, a vida ao canto libertas, a guarnição que com base em nancy, luiz xi, a vontade luiz xi, o matrimônio, luiz xi, o êxito, rei da princesa dos habsburgo, luiz xi, cinco os cardeais em recuo para avignon e então: papel para aos árabes através de samarcanda, os relógios de lugar na sala das estalagens; as bestas do século ii a.c. chinesas fábricas em aço na bavária; a imprecisão com blocos de madeira de johannes e a gana do marfim nos capitães-do-mato e bojadores, além da barra sul do loire de akan au guiné

XXIV

Tarim selênico de york, visby de nortúmbria, calábria selênica de gobi, holstein kola, said carlos iii, o simples, si, savóia, tashkent sri, a resposta. Ural esteps, cumprimento de rhodes, o tirol. Sahel, sri lanka, sahel, zanzibar neva, taurus. turingia niebla, nínive. Cosroes, cômodo a alarico? jutos, odoacro?

Domus haxix, a creta hagia de delhi & gibbon!


sexta-feira, 9 de maio de 2008

Por Muhammad Ibn Ishaq


Se a mãe largou o
marido para trás
se Dario atacou todas
as regiões da terra
se o discípulo se
recusa a atender
o telefone
se barbitúricos
se flautistas
se o excesso
de trabalho

Desculpem.

São os índios que
usam o vento como
baquetas
são os anjos que
fabricam os isqueiros
são os peixes que
carregam no lombo

a espinha.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Caetano + Gullar


"Por que,

não sei dizer

Saiba

Diga você"


A obra faísca de galáxias abertas

de olhos faiscantes de hélio e hidro

gênio, de homens que roubam metais

nas estradas, caçando bichos e senti

nelas sonhando desde as entranhas

como reis que não tem fim. Eu falo

não calo, deixo estar triste como um

bicho triste, deixo luzir nas estradas

como rochedos brancos, sair em -------- locomotivas\\

pelos séculos, nas mãos o coração de

menino, sem voar, fibras tensas,

a assistir a guerras e festas

imensas


terça-feira, 29 de abril de 2008

A vitória alada de Samotrácia

..

O rei de Assur convoca seus valentes:

Precipitam-se até as muralhas; instala-
se o abrigo. São forçadas as portas que

dão para o jazigo. A estátua é coberta,

retirada; suas servas, queixosas, são
levadas. Pássaros pousam nas cebes.

No tempo frio, brilha o sol.

.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Excursus - Por Luiz Coelho


A Isabel Diegues

Subúrbio, umidade relativa do ar: 75%. Um micro quarto, duas mariposas em torno de um corpo rígido defunto observam o silêncio mórbido. Não se sabe como procede a respiração das mariposas. Do corpo se sabe pouco: estático e impenetrável e sem respiração. Ao largo, na janela pequena, decerto um basculante, moscas entram e saem, no que parece, à espera, na espreita. As paredes caiadas contêm narrativas de infiltrações; sob mãos de tinta. Branca a parede absorve a luz lívida que ocupa os espaços que a fresta permite. O bocal sem lâmpada pende no centro do cômodo sem dar notícias do interruptor. Da rígida respiração dos cômodos, vazada por uma colônia de cupins, e da lixeira onde duas cascas de tangerina, antigas, liberam-se os amadeirados e cítricos perfumes. Discursos subjugados por uma membrana plástica desvelam a falsa quietude do álbum de fotografias sobre a escrivaninha empoeirada. Nenhuma melancolia a ser sentida, talvez nos recados em folha amarelada nos imãs da geladeira: telefones úteis, lembretes e uma receita de suflê. Não se tem certeza se aquela atmosfera atrai abutres, posto que a podridão é um estado. Ao derredor, a dor testemunharia sozinha sem deliberação explícita. Sobre a penteadeira o espelho repete o foco das tomadas permitidas por sua posição, intermediado por uma crosta de poeira é liberado de precisão e de credibilidade. Por goteiras o ritmo das estações é marcado, suas articulações denotam mudanças bruscas de tempo. A corrupção do piso subverte qualquer possibilidade de incêndio, o que em muito é vantajoso para as formas de vida que habitam o complexo. Não falta alimento. Traças se servem de uma diversidade de sabores: almofadas e livros; compreendendo em sua refeição a celeuma cultural e o descanso de outros corpos. Sob o corpo: um tapete. Sobre o corpo: pêlos persas. Entre os pêlos e o corpo: silêncio. Levanta-se a suspeita de que o cenário em torno do corpo pode deteriorar-se, embora seja próprio à ciência identificar, ao contrário do seu senso comum, fórmulas de sobrevivência. Dessa forma, nosso comentário elíptico sobre a brevidade da vida dos insetos fica em suspenso. Os rumores não levam a lugar algum, exceto ao comum: as paredes creditam a existência de antigas narrativas e afetuosidades, neste organismo arquitetônico, fato atestado pela presença de um corpo, apesar da inexistência de folhas em branco o que obstrui qualquer liturgia.

domingo, 27 de abril de 2008

Tempo de Estio

Nas arenas da Ilíria


I

Eu nunca quis pouco
mesmo que na passa
gem dos desertos, so
b a insolação das gra
ndes marchas mesmo
quando apenas um fi
lho das carroças

nunca com a
aventura histérica do
s rebanhos com o êxi
to dos seres em mana
das nunca esse elixir
do gosto o pasto essa
s modas de alento gast
o sim, à ânsia nova, no
va e guiada simples p
or uma solução, de de
pressão nas roças, na p
ródiga cabana enfim a
pesar do tempo assim
são as horas de
stio

.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

* Um (o) projeto

.

Serumgarim
peiro
comuma
ân siaen
orm
edesurtar
Nabir

mânia


.



Κλεοπάτρα Φιλοπάτωρ (69 a.C. - 30 a.C.)

Cleopátra Philopátor (69 a.C. - 30 a.C.)


"Estamos juntos

ainda que não

reconheças

minha voz


estamos juntos

ainda que não

sejas vidente

e não saibas.


Mas saibas que

estamos juntos.

Não hoje nem

em Roma nem


numa cidade ao

sol, Alexandria,

nem como,

deveras; só


saiba uma

vez

que estamos

juntos:


onde e como

sempre ainda

claro e tanto

e por pouco


não passamos

a virada

ou qualquer

prática,


ou reconhecimento.

Não é amor

não é qualquer

tipo de avesso


não é só estarmos

juntos

ainda que não

saibas, ainda que


não tenhas para ti;

e não penses, que

não tentes cavar

o fundo, não


tentes saber

o agasalho

não fales

não olhes,


não

duvides.

Estamos juntos

e é nada


nada pra dizer

que é isso.

Sem começo

sem tardes


sem causas

sem surgir

sem terminar

apenas


a história.

Estamos juntos

A partir da hora!

e vais ver


que uma vez

partindo

Não Paramos

Nunca, nunca mais."


Marco Antônio (83 a.C. - 30 a.C.)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dorme Ponte


I


Mirar o laço frouxo

do vestido

Ater-se ao que se eleva

nos baixios

bater-se, a língua

prenha, e o baú dissecado

Temer ciências puras

e dialéticas da moral

ter-se como um filho

que nasce

quando dilaceram-se

os sapatos

comer as ondas

que escalam as muradas

honrar a botânica

dos fatos

tirar dos olhos

os ponteiros e

a lâmina

e assim passar

da faca o

fio

sem prender-se

deveras

ao ciúme


II


Atento

A pesquisar os gestos

Ciumento

Que dos rodeios

Não pode fugir

Covarde

Ela me olha

Eu não desvio

Atino

Não posso preescrever

A flecha

Tirano

Das sandálias

Não acompanho entresafras




quarta-feira, 2 de abril de 2008

Habitar!


A Whitman que nos lembrou
que todo andante é fábula
e Cabral que escavou em nós
a didática da rocha.

Mesmo agreste, o falar
compra das coisas
coisas que não são
o barro brando

da febre.
Trocar instantes como aritmética
forçada, nas atmosferas brilhar
o que folha branca não aceita,

levar, de casa em casa,
os telegramas
do gelo ler e habitar
a seita


terça-feira, 1 de abril de 2008

Route


I

Círculos de carvão seguem a rota dos veículos

Marcados no solo como um tango a parte

(Era tarde a chance de terem sido lamaçais)


II

Nada me ira, nada me erra, nada me faz

Desço o rio no vau dos pequenos canais

Atento a exalar moléculas de hidrogênio

tornado em transe, um metal.


III

Enxergar o que viram Borges e os gênios

Circular pelos manuscritos & opiários

Dançar boleros com putas na Birmânia

E andar e andar e cruzar e escrever


IV

Subir andaimes e escarpas:

Como um haxixe, estalar


sexta-feira, 14 de março de 2008

Bashô


" Uma pimenta / colocai-lhe asas: / uma libélula rubra."

quinta-feira, 13 de março de 2008

Meta


Ser

um

garimpeiro

com

uma

ânsia

enorme

de

surtar

em

Myanmar


sábado, 8 de março de 2008

Huno Way of Life


Apitaria o trem na pradaria se lhe alcançasse a enchente?

O viajante noturno que desperta pensaria sempre na estrada?


Seria eu, um virtuose no trompete, se me viciasse em heroína?

Estariam os judeus no Iraque, não fosse a ascensão de Pasárgada?


Velásquez pintaria rios se soubesse que estariam represados?

Pensar em ser vivo é como sumir uma biblioteca toda em argila?!


Preocupava-se em avistar baleias, o imperador, no caminho do exílio?

Viveria eu, no Rio, se a Ilíada se tivesse consumido em Alexandria?


Curriculum Vitae



4753 a.c. Escravo por dívidas

3248 a.c. Saqueador de depósitos

1731 a.c. Criador de papagaios


884 a.c. Peregrino judeu

112 d.c. Colecionador de antiguidades

451 d.c. Imperador exilado


1306 d.c. Engenheiro de dilúvios

1786 d.c. Especialista em febres tropicais

1949 d.c. Taxista imigrante


2009 d.c. Dono de um bilhete premiado


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

" (Os cinco embarcam num pequeno bote e remam para alto mar)

MC: É esse o navio que nos esperava, pois então estamos perdidos.

CB: Calma, agora temos que descobrir quem é o verdadeiro Carleto... vou fazer algumas perguntas para vocês que só o Marechal saberia responder, aquele que responder certo é o verdadeiro Carleto Gaspar. Primeira questão: Quando seu navio foi afundado perto de Ilhéus, anos atrás, Carleto desapareceu por muitos dias. Onde ele foi encontrado nadando?

MC: Essa é fácil, Corumbau!

V2: Ilhéus

V3: Corumbau

V1: Não, foi em Belmonte

CB: o que disse Belmonte ganhou um ponto, mas só isso não basta, tenho outras questões, por exemplo: o que Carleto colecionava?

MC: ahnnnn civilizações peninsulares?

V2: Rios e arbustos ou madrugadas insones?!!

V3: miniaturas de carruagens!

V1: edições antigas de epopéias!!

CB: Ponto para o dois; também como é que alguém vai colecionar civilizações peninsulares, só num Borges aí no futuro; mas então, o dois e o quatro estão empatados, próxima questão: essa eu vou dar as opções: o que Gaspar investigou durante anos de estudo com os sábios da Anatólia? Castelos nórdicos erguidos na Palestina, o amor desgraçado na melancolia medieval italiana, as dinastias coptas da Abissínia no primeiro milênio, as matemáticas, lógicas e segredos da astronomia etrusca, ou nenhuma das respostas acima, Carleto não estudou com sábios da Anatólia?!

MC: ahnnn

V2: éééééééé

V3: ehhhhhh

V1: a resposta certa é: binômios compostos que levam ao orgasmo!

CB: essa opção não existe!

V1: Existe porque sou Carleto Gaspar e digo que é isso, Estudei com os sábios da Anatólia binômios compostos que levam ao orgasmo; se não concorda, então é porque você não é Campos Bastos, definitivamente, se não me reconheces, não és Campos Bastos!

MC: Não, não é! Lembrei! Estudei com eles na Universidade de Mileto as sintaxes verbais na geometria etrusca.

CB: Senhor, é o senhor Marechal?! (se ajoelha em dúvida e diz) Como sabia disso? Estou aqui a seu serviço, me perdoe por não lhe ter reconhecido, me perdoe, por favor, vamos, me diga, para onde devemos ir, remaremos todos a seu serviço

(Os outros Carletos protestam)

CB: é o senhor?! Se for diga, para onde vamos, que para lá eu remarei!

V1: Inventei agora mas.... Escutem todos, porque vocês terão que remar, estou assumindo o comando; o plano é o seguinte: Um navio de bandeira norte-americana me aguarda no Recife, de lá partiremos para a Ilha de Santa Helena para resgatar Napoleão Bonaparte de seu exílio forçado. Uma vez aqui no Brasil fundaremos um novo Império com Napoleão, um império de exilados de todas as tiranias do planeta, portanto, vamos para o recife!..."


"... Não! Olhe, já ouviste falar do grande jaguar de Brumado, da arara de Lear de Petrolina, da feiticeira nas cavernas de rio das contas? Eu, como Hércules, fui incumbido de realizar doze tarefas impossíveis entre elas derrubar o jequitibá pré-histórico de monte pascoal, desviar o Jequitinhonha para limpar a cidade de Santa Cruz de Cabrália, roubar o diamante gigante da fortaleza de Jequié, entre outras. Você precisa me ajudar a matar esses dois, para depois fugirmos. Entenda que não posso tolerar um homem se fazendo passar pela minha pessoa..."

"...MC: Vagamos seis meses por terras infestadas de colméias, formigas e serpentes até o dia em que encontramos, à beira de um riacho, um velho garimpeiro paulista que nos disse que estávamos a dois dias de marcha da Estrada Real que levava ao Arraial do Tijuco. Por segurança matamos o infeliz para que não nos denunciasse. A essa altura estávamos reduzidos a dezoito homens, mas uma tropa portuguesa deve ter escutado a notícia de que um grupo de vinte homens armados havia surgido nos subúrbios do Arraial porque no segundo dia em que já caminhávamos pela estrada de pedra, fomos surpreendidos por um força de Dragões do exército português que avançou sobre a nós tão rapidamente que fomos obrigados a fugir para as matas. Quando alcançamos o Jequitinhonha outra vez, montamos uma jangada e descemos até o nosso povoado de Nossa Senhora Virgem da Lapa, com a intenção de planejar uma nova ofensiva para atacar as Minas pelo novo caminho descoberto. Voltei depois para Belmonte, para onde transferi todos os ministérios e repartições públicas do Império. Foi essa época que conheci o mercador de Macau que me vendeu meus quatro elefantes indianos. Tive a honra de fundar um jardim zoológico para abrigá-los, o maior zoológico de todo Império Baiano..."

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Fragmentos

": Ah, meu filho, não imaginas o prazer de abrir uma brecha em qualquer muro, não saber o que te espera lá dentro, uma caixa de surpresas, santuários, museus, tesouros, ninfas, passagens secretas, ministérios, tabacarias, farmácias, salões, banhos, arenas, teatros, bordéis, palácios..aaaaaaaa..(vai se empolgando, falando mais alto, se enfurecendo).. mas és um desertor e nunca saberás o que é isso, pois pela manhã, faço questão de executá-lo pessoalmente, desgraçado desertor, são homens como vocês que me impedem de dominar todo o continente americano. Morrerás pelas minhas mãos, o que pra você será uma grande honra; será executado pelas nobres mãos de Carleto Gaspar, Imperador de Bahia e Angola, Rei das Tribos e Aldeias do Agreste, Patrono dos Mármores e Festivais..."

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

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Num grão de areia ver um mundo
na flor silvestre a celeste amplidão
segura o infinito em sua mão
e a eternidade num segundo.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A lista de afazeres do Caçador de Belugas

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1 - Retornar os carros de boi às paragens de trem obsoletas

2 - Começar a chover bem cedo apenas no rio vermelho

3 - Descer todo o cheiro de águas abertas até os mares

4 - Repousar os abandonos na prateleira do cipreste

5 - Dançar como um urso nas rochas de azul estragado

6 - Invejar as pedras as cidades os peixes e as correntezas


7 - Escutar nas ruas até certa hora os silêncios com brandura

8 - Separar do gelo as cordas o sal o arpão e os mapas da estepe

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Marechal Carleto Gaspar 1841

Marechal Carleto Gaspar 1841